Aquela garota tinha tantos sonhos! Desde pequena, sempre fora dotada de uma capacidade incrível de fazer com que as pessoas se sentissem bem. Almejava muitas coisas e enxergava o seu futuro com muito otimismo e disposição. Defendia os animais, ajudava crianças carentes e lutava contra as injustiças que eram praticadas ao seu redor.
Uma verdadeira revolucionária.
Uma revolucionária que, apesar da fachada sempre alegre, escondia uma face triste que ninguém nunca conseguia ver. Uma revolucionária que resolveu matar todos os seus sonhos e despedaçar o seu futuro. Uma revolucionária que havia resolvido abrir mão de todas as suas conquistas.
Nada nunca lhe satisfazia.
Lutar pelos direitos dos indefesos parecia não lhe alegar mais. E ninguém sabia o porquê.
Muito menos ela.
A revolucionária era constantemente admirada pelos seus vizinhos e amigos. Todos a tinham como uma inspiração, um exemplo a ser seguido. Mas algo estranho acontecia dentro de si e toda a alegria que ela transbordava por fora sumia em seu interior. Suas lágrimas eram sempre liberadas debaixo do chuveiro, onde tudo se misturava e nada mais existia além dela e de sua dor.
Ninguém sabia porque a garota revolucionária se trancava no banheiro por tanto tempo. Seus pais nem procuravam entender.
E a tempestade continuava acontecendo dentro de si. Ninguém notava.
O silêncio dominava o sofrimento daquela garota tão vazia. Ela só queria que as pessoas a ouvissem gritando: “Ei, eu estou aqui!” Porém, ninguém lhe respondia. Era como se as pessoas nem ouvissem os seus gritos.
Enquanto os seus amigos, vizinhos e familiares seguem as suas vidas achando que nada nunca mudou, a garota revolucionária vai ficando para trás cada vez mais exaurida. Carente de algo que nem ela mesma sabe o que é, apesar de procurar por isso com grande afinco.
               

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