Olá galera! Esse texto é um reflexo de como eu tenho me sentido ultimamente. Espero que gostem!
Adormecida.
Eu me sinto adormecida. Há tempos eu sinto que a minha vida não é mais a mesma. Os dias vão passando e a sensação de que estou ficando para trás nunca me larga.
As pessoas vão seguindo as suas vidas, mas eu não. Eu continuo ficando para trás.
A vida continua. O relógio ainda mexe os ponteiros e soa quando chega à meia-noite, enquanto eu continuo adormecida em minha própria nostalgia.
Da janela do meu quarto eu vejo pessoas indo e vindo, o dia inteiro. Os rostos vão se misturando em minha cabeça e embaralhando a minha mente de forma que eu não consigo me lembrar de quem passou por ali, mesmo sabendo que elas fizeram aquele trajeto algum dia.
Essas pessoas estão vivendo suas vidas, seguindo em frente, caminhando e eu continuo ali, aprisionada no meu quarto, apenas observando-as da minha janela embaçada.
Adormecida.
Cada pessoa vai se distanciando, indo...
Tic-tac.
Consigo escutar o barulho que os ponteiros do relógio estão emitindo.
Tic-tac.
O som podia ser irritante algumas vezes, mas eu já havia me acostumado a ouvi-lo.
Eu estava acorrentada em minha própria cama. Era o que o olhar das pessoas pareciam transmitir quando olhavam para mim. Engraçado, pois era exatamente assim que eu me sentia na maioria das vezes.
Dormindo de olho aberto.
Adormecida.
Suspensa no ar, numa dimensão paralela onde o tempo passava sem que eu percebesse.
Tic-tac.
23:30 da noite.
O movimento nas ruas havia diminuído. Eu podia apostar que a maioria das pessoas que passaram por esta rua estavam dormindo naquele momento. Ou então podem estar com uns amigos, jogando conversa fora, quem sabe?
Talvez eu devesse fazer isso também. Não jogar conversa fora com os amigos e sim, despertar.
Talvez eu devesse despertar.
Despertar para a vida.
Pela primeira vez em todos aqueles meses, eu consegui me afastar daquela janela e desgrudar os meus olhos daquela paisagem.
O alívio que eu senti foi tão grande, que eu pude sentir as correntes se afrouxando em meus braços e caindo no chão, emitindo um barulho que só eu podia ouvir.
Pisquei meus olhos 1, 2, 3 vezes e sorri. Naquele momento, eu tive a completa certeza de que eu não estava mais adormecida.
Eu tinha acabado de despertar e a vida, não iria mais embora sem mim. O tempo não passaria mais despercebido pelos meus olhos e eu aproveitaria cada minuto dele.
Tic-tac.
Olhei para o relógio. Os ponteiros marcavam exatamente meia-noite.
Talento, guria. Tu tem um puta talento.
ResponderExcluirAwwwn que linda. Obrigada Sarinha *-*
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