Rosa. Uma vida perfeita. Castelo. Contos de fada.
Um sorriso brotou em meus lábios quando vi o lugar em que eu me encontrava. Era um vasto campo ensolarado, repleto por rosas brancas.
Tudo a minha volta era perfeito.
Principalmente, a minha vida.
Eu fechei os olhos para tudo. Só o que eu conseguia enxergar era o rosa e o meu castelo. Eu sabia que existia um príncipe encantado por aí esperando por mim.
Arranquei uma rosa, e seu espinho fez um pequeno corte em meu dedo, fazendo-o sangrar. Fiz uma pequena careta de dor, largando a rosa e olhando o meu corte de forma estranha.
De repente, o sol desapareceu e o que antes era luz, se tornou escuridão. O castelo desmoronou em minha frente e eu não vi mais o rosa.
Só o preto.
Lágrimas. Dor. Desespero.
Era esse o preço que eu estava pagando por ter vivido em um mundo cor de rosa que nunca existiu de verdade.
O vento balançava os meus cabelos e muros erguiam-se ao meu redor e contra mim. Na penumbra, eu mal podia enxergar a minha própria sombra.
Meus cabelos chacoalhavam de um lado para o outro, minhas mãos tremiam e minhas lágrimas escorriam pelo meu rosto incessantemente.
Espectros rodeavam-me, dando-me pequenos sustos. Era como se eu levasse tapas no rosto de toda aquela ventania, de todos aqueles espectros e de todo aquele sofrimento.
Eu dei as costas para os meus problemas quando vi que as coisas complicaram. Inventei um mundo de mágica para compensar a vida trágica que eu levava.
A vida que eu estava vivendo, era uma farsa.
O castelo não existiu e o príncipe encantado nunca chegou. O rosa na verdade era preto. E meus problemas nunca deixaram de existir. Apenas esperaram a hora certa para virem me assombrar.
Fechei meus olhos com força e sorri. Não era um sorriso de felicidade. Contudo, eu me sentia bem. Finalmente eu havia entendido que viver alheia a toda a tragédia que acontecia ao meu redor, nunca adiantou.
Fugir dos problemas é besteira. Cabe a nós sermos corajosos o suficiente ao ponto de fazermos de tudo para solucioná-los.
Ao chegar a esta conclusão, eu senti alguém me abraçando, mesmo que não houvesse mais ninguém ali além de mim. Eu senti conforto de repente.
O vento cessou e os espectros sumiram. O sol voltou a brilhar no céu e as rosas brancas reapareceram.
E então, eu abri os olhos e dei de cara com o meu quarto desarrumado.
Eu havia demolido o meu castelo.
Senti um ar frio entrando pela janela e naquele momento, percebi que não havia mais vestígios do mundo cor de rosa que eu me transportava sempre que tudo ameaçava dar errado em minha vida.
Na verdade, eu tinha certeza de que tudo estava acabado.
Aquele mundo não existia mais.