Tem uma caixa de madeira
encostada no canto mais escuro da parede. Ela está totalmente vazia e nunca foi
retirada daquele canto solitário. Eu olho para ela, e tudo o que consigo ver é
uma personificação de como estou me sentindo por dentro nesse momento: vazia,
como se nada e nem ninguém fosse capaz de preencher o meu interior tão
danificado.
As pessoas dizem que eu não devo
me preocupar, pois essa sensação é passageira. Porém, os dias vão seguindo o
seu rumo e eu tenho a sensação de que estou ficando para trás. Nada parece
mudar dentro de mim.
Eu tentei me preencher com
corações, estrelas e com um arco-íris, mas nada daquilo conseguiu suprir a
necessidade de ter algo em mim que não fosse tão escuro e supérfluo.
Eu fecho os olhos, e imagino que
tudo o que eu quero que aconteça está ali bem diante de mim e estendo as minhas
mãos. Eu tento alcançar tudo aquilo e por um momento, me sinto completa outra
vez. Tão completa que sinto uma vontade louca e incontrolável de gargalhar.
Mas é só eu abrir os olhos que
toda a minha realidade me assola outra vez.
Talvez eu seja mesmo como aquela
caixa de madeira vazia. Talvez eu nunca seja capaz de me sentir completa.
Talvez ninguém seja capaz de me preencher.
Qualquer pessoa pode encher
aquela caixa de coisas e preenchê-la completamente. Mas não é qualquer pessoa
que pode preencher o vazio em meu peito com sentimentos, se estes forem
totalmente inexistentes e desprovido de emoções.