E aí, gente tudo bem? Depois de séculos sem postar aqui, apareci com um conto pequeno baseado na música Só Agora da Pitty. Espero que gostem! Ps: Quem quiser me seguir no twitter, pode eu sigo todos de volta. É só falar que conhece meu blog e tals q eu sigo meu user é @brandnewlari


Não. Aquilo definitivamente não estava acontecendo comigo. Aquele não era o meu namorado debruçado em minha cama chorando enquanto me abraçava apertado. Não podia ser. Eu simplesmente não podia acreditar. Entretanto, quanto mais eu olhava tudo de fora, mais as minhas suspeitas infundadas e idiotas se confirmavam.
Daniel continuava chorando, agora debruçado sobre mim, falando baixinho algumas palavras incompreensíveis. Senti vontade de chorar também quando o vi tão desolado, principalmente porque ele tentava me reanimar e eu permanecia com os olhos fechados, sem fazer nenhuma menção de que iria abri-los.
Eu nunca havia me visto tão pálida e fraca. E tão adormecida.
- Não, por favor! - Daniel gritou, se desvencilhando de um dos médicos que tentaram afastá-lo de mim. - Não vá, Sophia!
Meus olhos já estavam cheios de lágrimas e eu não entendi porque eu não podia voltar para o meu corpo e abrir os olhos. Eu não queria ficar ali parada, vendo o meu namorado gritar desesperadamente por mim sem poder fazer nada.
- Daniel! Eu estou aqui. Consegue me ouvir? - Nenhum som saiu da minha boca. Ninguém conseguia me ouvir.
Eu era apenas um fantasma.
- NÃO! Eu não posso deixá-lo! - gritei mais uma vez, me sentindo desesperada e desolada por ver meu grande amor chorando por mim. Ele me abraçava tão forte, que eu sentia suas emoções e aquele contato passando por mim como uma fina camada de ar. Eu sentia a sua dor e desespero.
Eu sentia tudo, mas não podia fazer absolutamente nada.
Me agachei no chão do quarto e fechei os olhos com força. Eu não queria mais olhar para aquilo.

Baby tanto a aprender.
Meu colo alimenta você e a mim.
Deixa eu mimar você, adorar você.
Agora, só agora.
Porque um dia eu sei, vou ter que deixá-lo ir.

Imagens de nossos momentos juntos passaram pela minha mente rápida e dolorosamente. Em todos os momentos eu sorria, assim como ele. Nós éramos um casal feliz.
Éramos. Porque a partir daquele dia, eu não existia mais.
Uma imagem passou pela minha cabeça e decidi segurá-la com medo de que se eu a perdesse, eu fosse capaz de esquecê-la. Acabei revivendo-a como se ela estivesse acontecendo naquele mesmo instante.
A grama macia tomava forma debaixo dos meus pés e me fazia cócegas. Abri os braços quando senti um vento gostoso passando por mim e deixei que ele bagunçasse os meus cabelos.
O dia estava ensolarado e o ânimo que parecia ter se perdido dentro de mim fora resgatado. Eu havia acabado de sair do hospital e esperava o resultado de um exame sair. Eu estava despreocupada, mas odiava hospitais tanto quanto matemática e física.
Entretanto, o meu bom humor acabou voltando quando Daniel me chamou para dar um passeio. Eu esperava pacientemente pelo seu retorno com o meu sorvete de chocolate, apenas aproveitando aquele tempo gostoso.
Avistei Daniel correndo em minha direção com duas casquinhas de sorvete na mão. Quando me alcançou, ele deu um sorriso tão bonito que automaticamente fez com que todos os meus pequenos anseios desaparecessem.
- Não tinha de chocolate. - ele disse sem rodeios, entregando-me uma casquinha de morango. Fiquei um pouco desapontada, mas não deixei de pegar a casquinha da sua mão.
- Não deixa de ser sorvete. - eu disse, dando um sorriso e sentando-me na grama.
- Concordo. - Daniel sorriu e sentou-se ao meu lado. - Como foi no médico?
- A mesma coisa de sempre. Ele e a minha mãe ficaram trocando olhares preocupados de 5 em 5 segundos. Depois, o Dr. mandou que eu fizesse um monte de exames que só ficarão prontos daqui a não sei quantos dias. - dei de ombros, tomando o meu sorvete.
- Você não tem medo de que o resultado acuse alguma coisa grave?
- Grave? Esqueceu que eu sou forte como a Mulher Maravilha? - brinquei, fazendo-o rir. - Além do mais, se for algo grave eles me dão algum remédio e eu me curo!
- Esqueci que você não tem medo de nada. - ele disse, fazendo com que eu ficasse com um bolo enorme na garganta.
- Na verdade, eu tenho medo de uma coisa. - Mordi o lábio, temerosa.
- Do quê?
- De te perder.
- Você não vai me perder.
- Um dia eu sei, Daniel que eu vou ter que deixá-lo ir.
- Não diga besteiras, Sophia! - exclamou, me olhando irritado.
- É apenas uma sensação estranha que surgiu no meu peito junto com esse pensamento repentino. - eu disse, passando a mão no peito e perdendo a vontade de saborear o meu sorvete.
Daniel virou meu rosto para si e me encarou de perto. Aqueles olhos verdes sempre foram a minha felicidade e eu tinha certeza de que nunca deixariam de ser, independente do que acontecesse.
- Eu nunca vou deixar você, Soph. - Daniel pegou a minha mão e não deixou de me encarar. Eu respirei fundo e engoli o choro que estava preso.
- Promete? - perguntei, segurando firme em sua mão. Daniel sorriu e me deu um beijo antes mesmo de sussurrar:
- Prometo!

Sabe serei seu lar se quiser.
Sem pressa do jeito que tem que ser.
Que mais posso fazer, só te olhar dormir
Agora só agora.
Correndo pelo campo antes de deixá-lo ir.

Outra imagem tomou forma em minha mente antes mesmo que eu me situasse:
Pela primeira vez eu sentia medo e deixava que ele transparecesse, inundando todo o meu ser e me fazendo chorar como nunca.
Eu tinha acabado de receber o resultado do meu exame e o Doutor me diagnosticou com câncer e parecia não haver muitas chances de que eu sobrevivesse.
Mamãe me abraçava, tentando me consolar de todas as formas que conseguia, mas não estava adiantando, pois ela estava tão desesperada quanto eu.
Me soltei de seu abraço e saí correndo pelo hospital, trombando com Daniel no final do corredor. Ele me abraçou com força e eu retribuí com o dobro de força, tentando me apegar aquele pedaço de felicidade o tanto quanto eu podia, clamando em pensamentos que o amor que eu sentia por Daniel me deixasse ficar.
Eu não costumava ter medo de muitas coisas, mas o meu maior medo com certeza era o de ficar sem o amor do Daniel.
Se eu morresse, eu teria que deixá-lo ir e só a ideia de fazê-lo sofrer, de me afastar e de desaparecer só me fazia mal.
- Eu vou ter que deixá-lo ir, Daniel. - eu disse, molhando sua camiseta com as minhas lágrimas. Daniel me apertou mais quando me ouviu dizendo aquilo.
- Não, não vai. - discordou, fazendo carinho em meus cabelos.
- Eu vou sim. - retruquei, escondendo minha cabeça em seu peito.
- Não vai não e sabe porquê? - fiz que não com a cabeça. - Porque não importa onde estivermos, nós sempre pertenceremos um ao outro.
Eu sorri, mesmo que eu estivesse em frangalhos. Daniel sempre teve esse efeito sobre mim. O de me fazer sorrir, por mais trágica que pudesse ser a situação.
- Eu te amo, Danny. - murmurei, lhe dando um selinho e encostando a minha testa na dele.
- Eu também te amo minha Soph. - nós dois sorrimos juntos.

Muda a estação 
Necessário e são
Você a florescer
Calmamente, lindamente

Fechei os olhos com força quando a última lembrança passou pela minha mente. Essa era a de um pouco antes de eu morrer:
Eu estava deitada na cama de hospital mas não conseguia dormir de jeito nenhum. Eu me sentia fraca, pálida e exaurida. Minha vida estava sendo tomada de mim aos poucos, como um sopro suave e emocionalmente doloroso.
Virei a cabeça para o lado e olhei para Daniel. Ele segurava a minha mão, a mesma que continha uma aliança de compromisso.
Apesar de estar abatido, ele não deixava de estar ao meu lado. Nós dois sabíamos que não restava muito tempo para mim e por mais que o medo de deixá-lo me dominasse, eu sabia que sempre estaríamos juntos.
- Você está com medo? - ele perguntou para mim assim que viu que eu o olhava.
- Estou e você? - confessei, fechando meus olhos momentaneamente. Eu estava cada vez mais fraca.
- Eu também. - ele disse, apertando a minha mão.
- Eu não vou deixá-lo ir, Daniel. Não mais. - Sorri, vendo Daniel assentir com a cabeça. Seus olhos estavam marejados mas ele ainda sorria.
- Eu sei.
- Me promete que não vai deixar de ser feliz? - perguntei. Danny olhou para baixo por um momento e quando levantou seu rosto, haviam lágrimas espalhadas pela sua bochecha.
- Eu não sei se conseguirei cumprir uma promessa como essa. - murmurou, aproximando-se um pouco mais de mim.
- Eu só poderei ir tranquila se você me prometer que vai tentar.
- Eu... Eu prometo que vou tentar.
- Obrigada, Danny. - falei, sorrindo.
- Porque está me agradecendo? - ele uniu as sobrancelhas, sem entender o que eu quis dizer.
- Por tudo. Você sempre esteve do meu lado e me fez ser uma das garotas mais felizes desse planeta. Você foi o único que conseguiu me amar e me aturar mesmo com as minhas neuroses idiotas e eu te amo por me fazer ser uma pessoa melhor. - Daniel sorriu em meio as lágrimas e se curvou para me dar um beijo.
- E eu te amo com todas as suas neuroses idiotas. Amo ver você sorrir enquanto canta. Soph, você sempre será o amor da minha vida. - Continuamos de mãos dadas pelo que pareceu ser uma eternidade.
- Você também, Danny. Para sempre. - balbuciei.
A fraqueza foi me dominando, meus batimentos cardíacos foram diminuindo e eu morri com a imagem do rosto do Danny sorrindo na cabeça.

Mesmo quando eu não mais estiver
Lembre que me ouviu dizer
O quanto me importei
E o que eu senti
Agora só agora

Abri os olhos. Agora os médicos retiravam Daniel da sala. Eu o segui. Ele se encostou numa parede e foi deslizando devagarinho, chorando descontroladamente. Mamãe soluçava, abraçada com meu pai e meu irmão.
A cena cortou o meu coração e eu olhei para o céu, implorando que eu arranjasse alguma forma de voltar.
Tentei acariciar o rosto de minha mãe e abraçar meu pai e meu irmão, mas eu não consegui. Soprei o rosto de cada um e fiquei parada por um tempo.
Me abaixei bem na frente de Danny, que tinha o rosto coberto com as mãos. Eu soprei seu rosto, fazendo com que ele retirasse as mãos do rosto e levantasse a cabeça.
Por um momento, achei que ele voltaria a cobrir o rosto, mas ele olhou para os lados antes de olhar fixamente para a direção em que eu me encontrava. Ele não me enxergava e tampouco podia me ouvir, mas eu soprei seu rosto novamente antes de sussurrar:
- Eu nunca vou deixá-lo ir.
- Soph... - ele sussurrou, voltando a chorar. Eu chorei também, mas tinha um sorriso fraco em meus lábios.
Uma luz me cobriu e eu já não estava mais ali naquele corredor frio no hospital.
No entanto, mesmo que meu coração parecesse estar sendo esmagado por um trator por ter deixado as pessoas que eu amava para trás, eu tinha certeza de que pelo menos o tempo em que eu vivi, eu fui feliz.
E eu era imensamente grata ao Danny por isso.
Mais imagens vinham em minha cabeça. Momentos com meus pais, com meu irmão e com o Danny.
E assim eu parti, revivendo todas as lembranças de felicidade que fizeram parte da minha vida.
Mas a última imagem que passou pela minha cabeça foi a de mim correndo de mãos dadas com Danny num campo muito bonito.
Eu fui feliz naquele dia.
Na verdade, fui feliz todos os dias em que o Danny esteve ao meu lado.

Talvez você perceba
Que eu nunca vou deixá-lo ir
Eu nunca vou deixá-lo ir
Eu não vou deixá-lo ir

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