Céus,
como os olhos dele eram doces! Foi o que eu pensei assim que levantei a minha
cabeça e encarei o seu rosto de perto pela primeira vez. Na verdade, aquela não
foi exatamente a primeira vez que fiz
aquilo. É só que das outras vezes, não nos olhávamos com tamanha intensidade,
ou sentimento. Existia algo ali sim, mas estava bem escondido, abaixo da
superfície, pronto para se mostrar assim que chegasse a hora.
O dia
estava nublado, e parecia que iria cair uma tempestade a qualquer momento, mas
eu não ligava. Acho que ele também não, já que apertava meu corpo contra o dele
com uma força que me deixou totalmente zonza.
E foi
ali que nos beijamos pela primeira vez. Naquele lugar mágico, que apesar do
tempo ruim, não foi capaz de aplacar a beleza da paisagem que estava bem em
nossa frente.
Eu
senti que poderia flutuar a qualquer instante, e que ao mesmo tempo, podia cair
de uma altura gigantesca enquanto flutuava. Meu coração oscilava entre a
adrenalina e o desespero, a magia e o amor. Tudo transbordando dentro de mim ao
mesmo tempo.
Na
minha queda, encontrei a luz. Enquanto despencava, senti que tinha alguém me
segurando.
Eu o encontrei. Ele me resgatara.
E se eu
tivesse a certeza de que ele estaria lá para me salvar sempre que eu caísse,
desejaria cair mais mil vezes, só para encontrá-lo outra vez.